quarta-feira, 26 de junho de 2013

POVO CIGANO: SAINDO DA INVISIBILIDADE

União entre os povos ciganos foi destaque no encerramento de evento que discutiu políticas públicas para o segmento

Data: 28/05/2013
Brasil Cigano chegou ao fim no dia 24, com a apresentação de grupos artísticos e de dança. Atividade foi promovida pela SEPPIR e parceiros, reunindo cerca de 300 pessoas de 19 estados e do Distrito Federal
União entre os povos ciganos foi destaque no encerramento de evento que discutiu políticas públicas para o segmento

O Dia Nacional dos Ciganos foi comemorado com música e dança no encerramento do Brasil Cigano – I Semana Nacional dos Povos Ciganos, ocorrido na sexta-feira, 24 de maio. Os participantes bailaram ao som dos grupos Leshjae Kumpanja (Alagoas), Sara Kali (Distrito Federal), Ciganos Caldarax, de Aparecida de Goiânia (Goiás), Cigano e Ciganito (Goiás), Olhar Cigano (DF) e Kallons Musical Show (São Paulo), que encerraram o evento promovido pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e parceiros. A programação teve início no dia 20, na Granja do Torto, no Distrito Federal.

Para a secretária de Políticas para Comunidades Tradicionais (Secomt), da SEPPIR, Silvany Euclênio, os participantes chegaram bem ao final das discussões porque estavam juntos na aproximação com o Estado. “A força de um povo está na capacidade que ele tem de se unir. Vocês e cada liderança aqui presente estão de parabéns. Estão chegando inteiros, unidos. Se um é Rom e outro Calon, para quem vai discriminar não interessa. A história de luta é a mesma”, declarou a gestora, segundo a qual os diálogos que levaram à realização da atividade foram iniciados há mais de um ano.

“Não apenas pelo que foi discutido aqui, mas pelos desdobramentos possíveis no contexto de uma sociedade que queremos mais equilibrada, mais justa e mais nossa”, destacou o sub-defensor Público Geral Federal, Afonso Carlos do Prado. Ele lembrou que os povos ciganos podem recorrer à defensoria pública caso tenham problemas legais nos acampamentos em que moram. “O defensor tem a obrigação de trocar informações com cada um de vocês”, afirmou.

União
O representante da Associação Internacional da Cultura Romani, Alexsandro Castilho disse ser uma felicidade estar junto de tantas comunidades. “Meu coração está transbordando de alegria e felicidade por ver essa união dos povos ciganos que há muito tempo não existia. No meio do próprio povo havia racismo. Mas houve uma verdadeira união e isso é muito importante na nossa história”, falou.

O representante da Associação Cigana da Etnia Calon do DF e Entorno, Elias Alves, considerou que o final do evento significava um começo. “Nossa luta começou agora porque só nós sabemos, ciganos, o que é a dificuldade da vida cigana. Por isso, agradecemos aos governos federal e do GDF. Quero dizer que precisamos buscar direitos e sermos reconhecidos no Brasil porque o cigano estava invisível. É a hora de nos unirmos. É uma causa só e é justa”.

A coordenadora-geral Maria Auxiliadora Lopes, da Coordenação de Educação para as Relações Étnico-Raciais da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI), do Ministério da Educação, falou do resultado da oficina ministrada pelo MEC durante o encontro. “A gente queria ouvir a população cigana. Saber quais são as reivindicações para orientar o sistema de ensino para que saiba como formar professores, como adotar materiais didáticos, como evitar determinadas atitudes que acontecem na escola”.

 “Acredito que o processo de construção de uma sociedade justa e igualitária perpassa o diálogo contínuo com a sociedade civil”, afirmou o sub-secretário de Ações Afirmativas e Comunidades Tradicionais da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial do Governo do Distrito Federal, Moredison Cordeiro. Já a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, leu a carta da Conferência Livre de Cultura, conduzida por ela durante a Semana Nacional dos Povos Ciganos e se comprometeu em encaminhar as demandas apresentadas. “A gente não tem que reproduzir o preconceito que sofre, mas ampliar horizontes, saber conviver com os diferentes e se enriquecer pelas diferenças dos outros”.

A representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), lembrou que a pasta está sempre de portas abertas para contribuir com a causa em parcerias como Disque 100, Documentação Básica e Centro de Referência, levados ao evento. “Estaremos no papel de ajudá-los sempre que precisarem”, finalizou.
 
Coordenação de Comunicação da SEPPIR

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